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Obra esquecida de Avelino Fóscolo que retrata a mineração em Nova Lima será tema de debate na AML

16/06/2026
às 16:30
Imagem: Reprodução


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Encontro reúne pesquisadores e editores para discutir a obra de Avelino Fóscolo, autor mineiro que retratou as condições de trabalho nas minas no início do século 20

JORNAL SEMPRE – Um dos primeiros romances brasileiros a abordar a mineração como tema central será discutido nesta terça-feira, dia 16, às 19h, na Academia Mineira de Letras (AML). O encontro “Revisitando a obra de Avelino Fóscolo – ‘Morro Velho'” reunirá os editores Peter Rossi e Gabriel Freitas Ramos, o professor Pedro Malard e o acadêmico Rogério Faria Tavares.



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Publicado no início do século passado, “Morro Velho” retrata as condições de trabalho na mineração e tem como cenário a antiga Mina de Morro Velho, em Nova Lima. A obra foi escrita por Avelino Fóscolo (1864-1944), primeiro ocupante da cadeira nº 7 da AML, intelectual anarquista e abolicionista nascido em Sabará, que viveu uma infância marcada pela pobreza e pelo trabalho na mina. Além de escritor, ele também atuou como jornalista, dramaturgo e farmacêutico.

Peter Rossi, sócio de Gabriel Freitas Ramos na Sete Autores Editora, responsável pela reedição do romance, conta que o interesse pela obra surgiu pela ligação geográfica com Nova Lima, onde nasceu. Segundo ele, o romance, de caráter autobiográfico, apresenta uma visão documental da cidade dividida entre os ingleses proprietários das minas, comerciantes e trabalhadores submetidos a condições sub-humanas de trabalho.



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“O livro descreve a mina, inclusive com o relato de um grave acidente que matou vários mineiros na década de 1930. Descreve a forma da mineração, as comunidades que trabalhavam na época, tudo isso”, afirma.

Ao pesquisar sobre o livro, Rossi descobriu que o texto estava em domínio público. Em um sebo no Edifício Maletta, encontrou a única edição, lançada pela Editora UFMG em 1999, com apresentação e comentários da professora e crítica literária Letícia Malard, que cuidou da organização do volume ao lado de José Américo Miranda.

Após contato com a UFMG e com a família de Letícia, que morreu em fevereiro do ano passado, Rossi conseguiu autorização para relançar a obra. A nova edição mantém a redação original e os comentários da professora, acrescentando notas do editor para explicar termos antigos e aproximar o texto dos leitores mais jovens.

Segundo Rossi, o debate na AML também deve abordar a importância de recuperar autores mineiros pouco lembrados. Para ele, Fóscolo, apesar de ter produzido diversos livros, acabou não recebendo o devido reconhecimento, em parte por suas ideias anarquistas em um período em que esse pensamento enfrentava forte resistência.

“Reeditar ‘Morro Velho’ é meu passinho de formiga no sentido de tentar resgatar Avelino Fóscolo, porque foi um grande escritor”, disse.

O encontro também pretende discutir as condições de trabalho na mineração no início do século 20 e ampliar o olhar sobre a história da atividade no estado e sobre a formação de Nova Lima naquele período.



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