Medida ocorre após suspensão temporária da vacinação pelo Ministério da Saúde e busca aprofundar análise de eventos adversos registrados em pessoas imunizadas
JORNAL SEMPRE – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um grupo de trabalho para coordenar a investigação sobre a segurança da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV. A criação do grupo foi publicada nesta terça-feira, dia 16, no Diário Oficial da União.
A medida foi adotada oito dias após o Ministério da Saúde suspender temporariamente a vacinação com o imunizante, devido ao registro de eventos adversos graves e de duas mortes que ainda estão sob investigação.
De acordo com a portaria, o grupo terá como objetivo aprofundar a análise epidemiológica dos casos notificados e subsidiar a avaliação do perfil de benefício e risco da vacina, considerando evidências científicas atualizadas.
O documento destaca a necessidade de ampliar a investigação sobre os eventos adversos relacionados à Butantan-DV para subsidiar a avaliação da segurança do imunizante.
Na última semana, o Ministério da Saúde informou que, entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos. Desse total, 42 casos apresentaram sinais de alerta compatíveis com dengue grave, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três ocorrências foram classificadas como graves, incluindo duas mortes suspeitas que seguem em investigação.
Segundo as autoridades sanitárias, até o momento, não foi comprovada uma relação causal entre a vacina e os casos registrados.
A portaria determina que o grupo de trabalho terá duração indeterminada e poderá continuar atuando enquanto houver necessidade de acompanhamento e avaliação da segurança do imunizante. A Anvisa também estabeleceu que as atividades deverão seguir princípios de transparência, integridade científica e gestão de conflitos de interesse.
A criação do grupo oficializa uma etapa já anunciada pela agência após a suspensão da vacinação. Na ocasião, o Ministério da Saúde informou que a investigação seria realizada em conjunto pela Anvisa, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pelo Instituto Butantan.





