Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, em 2019 — Foto: AP Photo/Vahid Salemi/File

MATÉRIA DO G1

O Irã “vingará o sangue de seus mártires”, manterá o Estreito de Ormuz fechado e atacará bases americanas, disse o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, em um comunicado lido na televisão estatal nesta quinta-feira (12).

As declarações foram suas primeiras desde que ele foi escolhido como sucessor do pai, morto em um ataque dos Estados Unidos e de Israel no primeiro dia de guerra.

Na mensagem lida pelo apresentador, Motjaba fez ameaças aos Estados Unidos e anunciou novos ataques a bases militares do país no Oriente Médio:

“Todas as bases americanas da região devem ser fechadas imediatamente. Essas bases serão atacadas”, afirmou, acrescentando: ‘O Irã não se absterá de vingar o sangue de seus mártires”.

Pressionado pelos países vizinhos, alvos dos ataque retaliatórios iranianos contra os EUA e Israel desde o começo da guerra, Khamenei defendeu a ofensiva de Teerã. Disse que o país acredita na “amizade” com eles e, por isso, está atingindo apenas bases militares, mas que é “inevitável continuar”.

Motjaba também afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz precisa ser mantido porque é um “instrumento de pressão contra o inimigo”.

O líder supremo ainda agradeceu aos “combatentes da Frente de Resistência” – com membros de grupos extremistas como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas -, que se juntaram ao país em ataques contra os EUA e Israel desde o início da guerra, e os descreveu como os melhores amigos do Irã:

“A Frente de Resistência é parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica”.

Pouco antes do discurso (veja a íntegra abaixo), Motjaba criou um perfil oficial para ele nas redes sociais e divulgou sua assinatura, junto com as de seus dois antecessores.

A assinatura de Motjaba Khamenei e seus dois antecessores — Foto: X / Reprodução

A assinatura de Motjaba Khamenei e seus dois antecessores — Foto: X / Reprodução

Líder supremo estaria ferido e ainda não fez aparição pública

O pronunciamento ocorre um dia depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que as forças americanas “derrubaram” a liderança do Irã duas vezes.

Ele não citou nomes nem deu detalhes, mas a declaração foi feita no mesmo dia em que a agência Reuters revelou que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ficou levemente ferido no primeiro dia da guerra, mesmo dia em que o pai morreu na ação conjunta de EUA e Israel.

“Derrubamos a liderança deles duas vezes. Agora há um novo grupo assumindo. Vamos ver o que acontece com eles”, declarou durante uma breve fala a jornalistas em visita a uma fábrica em Ohio, nesta quarta-feira (11).

Após a notícia de que Mojtaba Khamenei tinha sido ferido, o governo iraniano afirmou que ele estava “são e salvo”.

Segundo a autoridade israelense de alto escalão que falou com a Reuters, Mojtaba foi ferido nas pernas e, por isso, ainda não havia feito nenhuma aparição pública.

  • Outros indícios de que Mojtaba foi ferido surgiram na mídia estatal iraniana nos últimos dias.
  • A TV estatal o chamou de “veterano de guerra ferido”.
  • Já a Komiteh Emdad, poderosa instituição religiosa ligada ao governo, usou a expressão “janbaz jang” — termo persa para veterano ferido em guerra — ao parabenizá-lo pela eleição como líder supremo.

Considerado linha-dura, Mojtaba foi escolhido pelos aiatolás da Assembleia de Especialistas. A decisão foi vista como um desafio a Trump, que queria influenciar a escolha do novo líder iraniano e defendia alguém “que tratasse bem EUA e Israel”.

Segundo autoridades iranianas de alto escalão ouvidas pela Reuters, o mandato pode resultar em postura mais agressiva no exterior e repressão interna mais rígida.

Na semana passada, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que qualquer líder nomeado pela atual liderança iraniana “será um alvo inequívoco para eliminação”. Trump disse que Mojtaba “não durará muito” sem aprovação dos Estados Unidos.

Veja a íntegra do 1º pronunciamento de Motjaba Khamenei:

“Queridos irmãos combatentes! O desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e que cause arrependimento. Além disso, certamente ainda deve ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz.

Sobre a abertura de outras frentes, nas quais o inimigo possui pouca experiência e será extremamente vulnerável, foram realizados estudos. A ativação dessas frentes ocorrerá caso a situação de guerra persista e levando em consideração os interesses.

Também expresso minha sincera gratidão aos combatentes da Frente de Resistência. Consideramos os países da Frente de Resistência como nossos melhores amigos, e a causa da resistência e a própria Frente de Resistência são partes inseparáveis dos valores da Revolução Islâmica.

Sem dúvida, a união dos componentes da Frente de Resistência entre si encurtará o caminho para livrar-se da sedição sionista. O Iêmen, corajoso e fiel, não deixou de defender o povo oprimido de Gaza; o dedicado Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica; e a resistência do Iraque também segue bravamente essa mesma linha.

Dou a todos a certeza de que não renunciaremos à vingança pelo sangue dos seus mártires. A vingança que temos em mente não se refere apenas ao martírio do eminente líder da Revolução; cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo constitui, por si só, um caso independente para o dossiê da vingança.

Uma parte limitada da vingança pelo sangue dos mártires já se concretizou, mas enquanto não for plenamente realizada, esse dossiê continuará acima dos demais. O crime que o inimigo cometeu de forma deliberada contra a escola Shajareh Tayyebeh em Minab, e alguns casos semelhantes, possui uma importância especial nesse processo.

Exigiremos compensação do inimigo e, caso se recuse, tomaremos de seus bens na medida que julgarmos necessária; e, se isso também não for possível, destruiremos seus bens na mesma proporção.

O inimigo, há anos, foi gradualmente estabelecendo bases em alguns países vizinhos. Na ofensiva recente, algumas dessas bases militares foram utilizadas e, naturalmente, assim como havíamos advertido de forma explícita, sem que houvesse qualquer agressão contra esses países, atacamos apenas essas bases.”

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