Reservatórios de água em Nova Lima refletem crise hídrica histórica

Os níveis hídricos em Minas e no Brasil são alvos de preocupação entre ambientalistas, empresas que fornecem água potável á população e governo. Em Nova Lima, a caixa-d’água para o abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), apresenta estado crítico.

A Copasa já havia emitido alerta para os baixos níveis do sistema de captação Rio das Velhas aqui na cidade. A empresa chegou também a diminuir a produção para garantia de abastecimento. Já na represa da Lagoa dos Ingleses o quadro de emergência hídrica foi feito pelo Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), que prevê escassez até o mês que vem. O órgão é o resultado do aprimoramento e elaboração de previsões de eventos meteorológicos extremos, pesquisa, desenvolvimento e inovação feito por entidades federais.

Segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, da Climatempo, ao Jornal Estado de Minas, a seca é reflexo da falta de chuva nos últimos seis meses, mesmo com as fortes pancadas no início do ano. “Choveu muito pouco no período de outubro de 2020 a abril de 2021, o que se reflete agora no nível dos cursos d’água e reservatórios. Já são quase seis meses sem chuvas, volume suficiente para o abastecimento hídrico. Somente em fevereiro, tivemos chuvas acima da média. De março para cá, as chuvas pararam. Ficamos sem chuvas para as nascentes e para abastecer os reservatórios”, aponta Reis.

Para Ruibran dos Reis, há previsão de chuvas significativas somente em outubro e que a atual estiagem complica também as condições do ar, que fica seco e mais propício a doenças respiratórias. A umidade relativa do ar está na faixa dos 35%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta para níveis entre 50 e 60% para uma boa qualidade. Menos de 30% é considerada baixa e perigosa.

Conta de luz e economia

Com níveis cada vez mais baixos e risco de racionamento, o governo federal tem efetivado medidas para conter o uso descontrolado de energia elétrica. O presidente Jair Bolsonaro fez um apelo público para que a população use de forma consciente. Já a ANEEL, órgão que regula o setor elétrico no Brasil, autorizou o aumento para o mês de setembro. Os cálculos do governo apontam para a possibilidade da bandeira vermelha nível 2, hoje em R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh), ser elevada para entre R$ 15 e R$ 20, chegando até R$ 25. Valores são quase o triplo dos já emprenhados atualmente pela população.

Esporte náutico na Lagoa dos Ingleses

Também ao Jornal Estado de Minas, o diretor do Minas Náutico, Jorge Guimarães, informou que o nível baixo da represa não impossibilita a prática de esporte, embora traga danos. “Estamos no fim da seca. A lagoa já esteve em dias melhores. Estava bem cheia há dois meses, mas baixou muito, estamos muito tristes com o cenário”, afirmou Guimarães que completou: “Os esportes ficam prejudicados, mas ainda não impossibilitados. A gente fica muito triste de ver a lagoa assim. Ela é bonita cheia.”

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