Unidade prisional em Nova Lima tem 102 casos de infectados por Covid-19; servidores já foram afastados

Segundo Sejusp, os detentos estão cumprindo período de quarentena dentro da unidade prisional e sendo acompanhados diariamente pela equipe de saúde do presídio e por profissionais de saúde do município. Todos estão assintomáticos.

Foto: Portal Sempre Nova Lima

A Secretaria de Estado de Segurança e Justiça Publica (Sejusp) confirmou com exclusividade ao Sempre Nova Lima que a unidade prisional Nova Lima I, localizada no centro da cidade, tem pelo menos 102 custodiados infectados pela Covid-19.

Segundo a Sejusp, o alto número de infectados foi descoberto após uma testagem em massa dos detentos e também dos funcionários, na última quinta-feira, dia 6. Três funcionários também estão infectados e estão cumprindo quarentena em casa segundo a secretaria. Ainda de acordo com a assessoria do órgão, a “ação permite melhor controle da disseminação da doença na unidade”.

Seguindo protocolo sanitário, as alas em que se encontram (infectados) foram isoladas, desinfectadas e todos servidores e demais detentos do local usam máscaras de forma preventiva

A secretaria informou também que tanto os detentos quanto os funcionários não apresentaram nenhum sintoma da doença e que após a descoberta dos casos, tem se reunido diariamente com órgãos como a Defensoria Pública, Ministério Público e Poder Judiciário, para articularem juntos estratégia para mitigar os efeitos da doença no sistema.

Ressaltamos que a Sejusp e o Depen-MG estão trabalhando intensamente e de forma integrada, para prevenir e combater a covid-19 no ambiente prisional. As medidas adotadas são discutidas e atualizadas, em duas reuniões diárias, com a presença de diversos órgãos, entre eles Defensoria Pública, Ministério Público e Poder Judiciário, para que servidores e custodiados do sistema prisional se mantenham protegidos da melhor forma possível em tempos de pandemia.

A Sejusp informou também que adotou no estado um modelo pioneiro no país que restringe a movimentação de detentos no período de pandemia. Ainda segundo a Sejusp, 30 unidades de referência, distribuídas em todo o território mineiro, que funcionam como centros de triagem e portas de entrada para novos custodiados do sistema prisional.

Ao entrar no sistema penitenciário, o detento fica pelo menos 15 dias em quarentena e observação, em presídios específicos, além de suspender visitas e reforçar a entrega de utensílios domésticos de higiene pessoal. A restrição de visita visa evitar que o vírus chegue ao sistema mais rapidamente.

Para o caso de pessoas já presas, ao apresentar sintoma ou ser confirmado o diagnóstico, os detentos ficam em isolamento imediato, realizam exames e, em caso de confirmação, tratamento segundo protocolo da área da Saúde. A secretaria aponta ainda para ação mais efetiva na desinfecção do presídio. “Em todas as unidades em que há presos com covid-19 confirmados, a desinfecção do ambiente também é imediata e todos os demais detentos passam a usar máscaras, de forma preventiva”, apontou a Sejusp por nota.

Uma fonte que preferiu não se identificar, repassou para nossa equipe a informação de que 30 detentos teriam sido transferidos da Nova Lima para outra unidade. Questionamos a Sejusp sobre a mudança e também a capacidade e lotação do presídio. A Secretaria não informou sobre transferências e não informou os números da ocupação.

Confira abaixo a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen MG), informa que o balanço desta segunda-feira (10/8) aponta 102 pessoas custodiadas no Presídio de Nova Lima I com diagnóstico positivo para a covid-19. Eles estão
 
Seguindo protocolo sanitário, as alas em que se encontram foram isoladas, desinfectadas e todos servidores e demais detentos do local usam máscaras de forma preventiva. O alto número de positivos deve-se ao fato de a unidade prisional ter conseguido realizar uma testagem em massa na última quinta-feira (6/8). A ação permite melhor controle da disseminação da doença na unidade.

Há três servidores afastados e cumprindo quarentena em casa por terem testado positivo também. Eles estão bem e assintomáticos. 

 
Informamos ainda as principais ações que estão sendo realizadas para prevenir e controlar a disseminação do coronavírus nas unidades prisionais de Minas Gerais e que também são realizadas no Presídio de Nova Lima I:

 
Unidades portas de entrada: Foi adotado um modelo pioneiro no país de circulação restrita de detentos no período de pandemia, classificado como referência pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para evitar a contaminação por novos presos, foram criadas 30 unidades de referência, distribuídas em todo o território mineiro, que funcionam como centros de triagem e portas de entrada para novos custodiados do sistema prisional.
 
Todas as pessoas presas em Minas Gerais estão sendo encaminhadas para uma unidade específica em cada região e ficam, pelo menos, 15 dias, em quarentena e observação, evitando possível contágio caso fossem encaminhadas de imediato para outras unidades. Após a observação e atestada a sua saúde, são encaminhadas para as demais unidades prisionais do Estado.
 
Suspensão das visitas: Para evitar a disseminação do vírus por meio de contato com o público externo, as visitas foram suspensas, para diminuir a circulação de pessoas externas, assim como a entrega, até então opcional, de kits suplementares contendo alimentos, remédios entre outros itens, para evitar a circulação de materiais contaminados. Destaca-se que esses itens continuam sendo fornecidos pelas unidades prisionais e recebidos, ainda, via Correios. Todos os kits enviados por meio postal são inspecionados, por questões de segurança, e estando em conformidade com a legislação, são entregues aos presos.
 
Cuidados com quem já está preso: No caso de presos que já se encontram no sistema prisional, caso apresentem sintomas da covid-19, o protocolo é o seguinte: isolamento imediato, realização de exames e, em caso de confirmação, tratamento segundo protocolo da área da Saúde. Em todas as unidades em que há presos com covid-19 confirmados, a desinfecção do ambiente também é imediata e todos os demais detentos passam a usar máscaras, de forma preventiva.
 
Evitar o contágio via profissionais de segurança: Imprescindíveis para a segurança das unidades, os profissionais estão com as escalas de trabalho dilatadas, de forma a diminuir a circulação desses servidores intra e extramuros.
 
Evitar a circulação de presos para realização de audiências: Foram instalados equipamentos para a realização de videoconferências judiciais em todas as unidades prisionais que estão, aos poucos, se adaptando para uso dessa ferramenta. Com isso, evita-se o deslocamento da maioria dos presos para o ambiente extramuros e diminui-se o risco de contágio pelo coronavírus. Já foram realizadas mais de 3 mil videoconferências judiciais neste período de pandemia – uma parceria com o Poder Judiciário que deve se estender no período pós pandemia por resultar em ganhos positivos para todos os atores envolvidos.
 
Contato com as famílias: Com a suspensão das visitas, necessária para contenção do vírus, os familiares podem ter contato com seus parentes de três formas: por meio de cartas (ação prevista para todas as unidades e com média de 35 mil recebimentos por semana), ligações telefônicas (cujo número é diferente em cada unidade e deve ser fornecido pelo presídio ou penitenciária; a média semanal é de 15 mil ligações realizadas) ou videoconferências nas unidades em que essa tecnologia já está disponível. Mais de 78% das unidades prisionais já realizam visitas familiares por videoconferência.
 
Limpeza geral e desinfecção de ambientes: As áreas estruturais como celas, pátios, áreas administrativas e técnicas, portarias, guaritas e, também, veículos estão passando por higienização reforçada, semanal, durante a pandemia.
 
Máscaras e EPIs: O sistema prisional está produzindo máscaras para uso nas próprias unidades e segurança de todos. No interior das unidades prisionais já foram produzidas 3 milhões de máscaras por custodiados. Todos os servidores são obrigados a circular no interior das unidades de EPIs e, a eles, este material é fornecido sistematicamente. Os presos também utilizam máscaras quando estão com algum sintoma suspeito ou quando pertencem a alas ou pavilhões onde outro detento foi testado positivo para a doença.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: O conteúdo está bloqueado. Entre em contato para solicitar o texto.