Assim como em Macacos, economia de Barão de Cocais morreu com situação da barragem

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O distrito de São Sebastião de Águas Claras (Macacos) não é mais o mesmo depois que sucessivamente a mineradora Vale e a Agência Nacional de Mineração (ANM) subiram o nível de alerta da barragem B3/B4. A situação aconteceu porque uma empresa de auditoria externa não assinou o laudo atestando a estabilidade da estrutura.

Os sintomas são claros: além da pressão emocional e problemas psicológicos, as crianças ficaram sem aula. Mas o pior é a economia do local, que vivia do turismo e da gastronomia, morreu com o medo das pessoas enfrentarem um rompimento na região. Clientes que já haviam comprado estadias em pousadas de Macacos, pediram o retorno do seu dinheiro.

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Tudo não é diferente em Barão de Cocais, apesar de que a crise atinge toda a cidade. O talude norte da cava da mina de Gongo Soco poderá se romper a qualquer momento, segundo estudos da própria mineradora que informou a situação ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O problema dessa situação seria ativar o gatilho para rompimento da barragem Sul Superior, que fica a 1,5 quilômetros da cava. O talude que se movimentava em média quatro centímetros por dia, já chega a se movimentar dez centímetros em alguns momentos. A Vale monitora, em tempo real, conjuntamente a Defesa Civil, a situação.

O iminente rompimento provocou medidas drásticas, como o fechamento de agências bancárias e até de lotéricas. Barão de Cocais vive em alerta e na espera de a qualquer momento as sirenes soarem e com elas a consolidação do caos. A lama tem potencial para atingir 10 mil pessoas em três municípios diferentes. Além disso, pode comprometer o abastecimento da região e atingiria a velocidade de 50 Km/h.

Nesta sexta-feira, a partir das 14 horas, comerciantes deverão protestar contra a situação. O medo do rompimento, principalmente depois dos acontecimentos em Mariana, no ano de 2015, e em Brumadinho, em janeiro passado, não destroça apenas a saúde mental da população. Mas, também, destroça a renda dos comerciantes, que dispenderam não apenas tempo, mas também capital em seus empreendimentos.

O representante do movimento “Reage Barão”, Geraldo Magela Marques, explicou que a situação já era difícil desde janeiro, quando a crise minerária voltou à tona com o rompimento da barragem em Brumadinho. Porém, a situação se tornou insustentável nos últimos dias:

“Desde janeiro estamos tendo dificuldades, mas com esse aviso de que o talude poderia romper e com isso a barragem desmoronar, ficou mais difícil ainda principalmente na área central. Restaurantes tiveram queda de até 50% na economia. Já no setor de vestuário, é pior ainda, pois a queda pode chegar a até 80%”, disse, segundo o jornal O Tempo.

Os comerciantes não sabem, por exemplo, como vão pagar o aluguel do próximo mês, já que com tudo fechado, não há faturamento. O que não se sabe também, é quando acabará o pesadelo. O talude, segundo o estudo, poderá cair até sábado, dia 25. Mas, se não cair, o mau momento não passará. E, se cair, o possível rompimento da barragem acabará por matar Barão de Cocais.

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