Polícia faz operação contra empresas suspeitas de lucrar com medicamentos caros — Foto: Receita Federal

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JORNAL SEMPRE – Uma operação conjunta das forças de segurança e de órgãos de controle busca desarticular um esquema criminoso que pode ter desviado milhões de reais da saúde pública em Mato Grosso do Sul. A ação, denominada “OncoJuris”, foi deflagrada nesta quinta-feira, dia 23, e cumpriu mandados em três estados, incluindo Minas Gerais, na cidade de Nova Lima.

Durante a operação, dois advogados foram presos em Campo Grande (MS). Entre os alvos de prisão preventiva estão Altair Malhada e Victor Guilherme Lezo. Os nomes de outros três detidos não foram divulgados.

De acordo com as investigações, o grupo utilizava decisões judiciais para obrigar o Estado a fornecer medicamentos de alto custo, principalmente voltados ao tratamento de câncer. A suspeita é de que o mecanismo era explorado para obtenção irregular de recursos públicos.

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Como funcionava o esquema

A apuração aponta que a organização era dividida em diferentes grupos, cada um com uma função específica:

  • Administrativo: responsável por montar orçamentos e apresentar informações que davam aparência de legalidade aos pedidos na Justiça;
  • Jurídico: atuava para incluir empresas investigadas nos processos judiciais;
  • Empresarial: formado por empresas que serviam como intermediárias para receber o dinheiro público, mesmo sem estrutura adequada ou autorização para fornecer medicamentos;
  • Importação: cuidava da compra dos remédios no exterior, por valores muito menores do que os cobrados do Estado.

Ainda segundo a investigação, após a liberação judicial dos pagamentos, grande parte do dinheiro permanecia com as empresas envolvidas, sob justificativa de “serviços de assessoria”, enquanto apenas uma parcela era efetivamente destinada à compra dos medicamentos.

Em nota, o governo de Mato Grosso do Sul informou que acompanha o caso desde 2025, quando surgiram os primeiros indícios de irregularidades.

Risco à saúde de pacientes

Outro ponto destacado pelas autoridades é o possível fornecimento de medicamentos sem registro na autoridade sanitária brasileira. Também foram identificadas falhas na documentação, no transporte e no armazenamento dos produtos, o que pode representar riscos à saúde dos pacientes.

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Mandados e início das investigações

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em cidades de Mato Grosso do Sul, como Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, além da capital paulista, Barueri e Itu, em São Paulo, e Nova Lima, em Minas Gerais.

As investigações tiveram início em setembro de 2025, após denúncia feita pelo Núcleo de Atenção à Saúde da Defensoria Pública. A partir disso, foram identificados indícios de um esquema estruturado com atuação em mais de um estado.

Próximos passos

Segundo a força-tarefa, o objetivo da operação é reunir provas, interromper as atividades ilegais e responsabilizar os envolvidos, além de evitar prejuízos aos cofres públicos e garantir a segurança dos pacientes.

O caso segue sob sigilo, e novas ações não estão descartadas. As autoridades informaram que outras informações serão divulgadas no momento oportuno.

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