Aparelho desenvolvido pela UFMG para identificar a idade gestacional de bebês recém-nascidos — Foto: Reprodução/TV Globo

MATÉRIA DO G1

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um aparelho capaz de identificar, em poucos segundos, o tempo gestacional de bebês recém-nascidos. A tecnologia, que deverá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos dias, ajuda médicos a reconhecer prematuros.

O objetivo dos pesquisadores é reduzir a mortalidade, já que bebês prematuros podem ter complicações diversas e necessitar de uma unidade hospitalar mais avançada. A medida é voltada para mulheres que não fizeram o pré-natal, como as de populações indígenas com pouco acesso ao sistema de saúde.

Segundo Zilma Reis, pesquisadora da UFMG que coordena a pesquisa, o exame deve ser feito em até 24 horas após o nascimento do bebê.

“A ideia começou de um grande problema do dia a dia de quem trabalha em maternidades, que é identificar o bebê prematuro. E as tecnologias atualmente disponíveis dependem do acesso precoce dessa mulher ao pré -natal, ao exame de ultrassom e a gente sabe que em muitos cenários isso não é possível”, explicou Zilma.

Bebê com menos de 37 semanas é considerado prematuro

A prematuridade é o nascimento antes de 37 semanas de gestação, quando o bebê ainda não atingiu a maturidade de todos órgãos e, por isso, corre risco de complicações.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, 11% dos bebês nascidos são prematuros.

Informação sobre gestação em segundos

A criação da tecnologia envolveu médicos, físicos, engenheiros e cientistas da computação. Eles se uniram para criar o leitor de idade gestacional.

O aparelho que faz a medição tem um feixe de luz infravermelha, invisível aos nossos olhos, e leva segundos para informar o tempo exato que durou uma gestação.

“Uma pele ao ser iluminada, ela tem parte dessa luz absorvida, parte espalhada e parte refletida […] . Essa análise de luz, ela traz, do ponto de vista objetivo matemático, um indicador de maturidade da pele que está relacionado à maturidade do pulmão e de todo recém-nascido”, explica a professora.

Os testes envolveram cinco centros de referência materno infantil no Brasil e um na África. Agora, depende de uma portaria para autorizar o governo federal a utilizar os equipamentos no SUS.

A norma deve ser publicada nos próximos dias e, a partir da data da publicação, serão mais 180 dias para a tecnologia entrar nos centros de saúde.

Financiamento público nacional e internacional

Segundo a coordenadora da pesquisa, o trabalho contou com financiamento público nacional e internacional e está pronto para ser levado para todo o país, chegando até as áreas mais remotas.

O equipamento já foi utilizado em território indígena, no estado do Amazonas, onde muitas mães não conseguem ter acompanhamento médico ou mesmo informar quando foi o último período menstrual.

“E aí teve o retorno muito positivo […] falaram que colaborou muito, principalmente com a questão médica, falando em nível de fazer as remoções dos bebês que de fato necessitavam relacionado à questão da prematuridade. E a gente conseguiu salvar vidas a partir desse aparelhinho também”, ressaltou a pesquisadora.

Cuidados na gravidez

A professora Zilma ainda explicou que, mesmo com a existência do aparelho, é essencial manter os cuidados durante a gravidez.

“É muito importante [dizer] que o aparelho é um instrumento a mais, uma ferramenta a mais, mas o que garante é uma gravidez segura, um bom nascimento, a prevenção, inclusive, para não levar a situações que levam ao nascimento prematuro, é o pré -natal de qualidade, o pré -natal bem feito”, afirmou Zilma.

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