SEMPRE NOVA LIMA – Na manhã desta quarta-feira, dia 14, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, com o cumprimento de mandados de busca em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a seus familiares. As ordens judiciais foram executadas em diferentes cidades de Minas Gerais, incluindo Nova Lima, Belo Horizonte, Contagem e Sarzedo.
Na capital mineira, foram cumpridos seis mandados. Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram três, enquanto Nova Lima concentrou cinco ações. Já em Sarzedo, um mandado foi executado.
A operação apura a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. As diligências também ocorrem em outros estados, com ações em Porto Seguro, na Bahia, no Rio de Janeiro, onde há dois mandados, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e nos municípios paulistas de Jundiaí, Porto Feliz e São Paulo.
Segundo a investigação, o Banco Master teria participado da venda de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ao todo, a operação cumpre 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
As medidas judiciais têm como objetivo cessar a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e permitir o avanço das investigações.
Prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da operação, realizada em São Paulo. A prisão ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando, de acordo com os investigadores, ele tentava deixar o país em um avião particular com destino à Europa.
As apurações começaram em 2024, após requisição do Ministério Público Federal para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito consideradas insubsistentes por uma instituição financeira. Conforme a investigação, esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.
Os investigados podem responder por crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Após a primeira fase da operação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Posicionamento da defesa de Vorcaro
Através de nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirma que “tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que Vorcaro tem colaborado de forma integral e contínua com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.
Ainda acrescentou que “permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”.


