SEMPRE NOVA LIMA – A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para investigar se prédios residenciais do Belvedere III, construídos no perímetro da avenida Luiz Paulo Franco e Estrada de Nova Lima, até a rua Rodrigo Otávio Coutinho e a Praça Tom Jobim, teriam fechado uma entrada na cadeia montanhosa da Serra do Curral para Belo Horizonte, interferindo na circulação dos ventos do Quadrilátero Ferrífero. A possível alteração na ventilação natural pode ter contribuído para o aumento da temperatura média da capital.
A investigação, considerada inédita, foi aberta na última semana de 2025. A Polícia Civil irá ouvir especialistas, estudiosos, empresas e o poder público para reunir informações sobre os impactos das construções. Paralelamente, será elaborado um laudo pericial ambiental pela área criminalística da PCMG que investiga crimes ambientais, explica o delegado Daniel de Carvalho Isidório.
“Vamos ter o laudo pericial, um laudo oficial robusto e de qualidade que vai ser feito pela perícia da Polícia Civil. Esse laudo também é essencial para a correção dos fatos. De forma que a gente conclua que esteja ou não havendo a situação do crime ambiental”, declarou.
Caso a perícia confirme que a temperatura média de Belo Horizonte foi alterada devido à criação de uma barreira pelos prédios, impedindo a ventilação natural da cidade, o caso poderá ser caracterizado como crime ambiental. A responsabilização pode alcançar empresas envolvidas e outras esferas da administração pública, dependendo do resultado das apurações.
A Polícia Civil passou a analisar o tema após a divulgação de estudos acadêmicos e reportagens jornalísticas que levantaram a hipótese. De acordo com o delegado, o aumento artificial da temperatura pode gerar diversos prejuízos à população, como maior consumo de energia e água, além do aumento de gastos com assistência médica.

