Não acho que devemos deixar o “13 de maio” passar sem comemoração. O 13 de maio de 1888 entrou para a história como o dia em que o povo brasileiro conquistou uma das mais importantes vitórias contra a exploração e a desumanidade: o fim oficial da escravidão no Brasil. A assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel foi consequência direta da enorme pressão popular, da luta dos negros escravizados, dos quilombos, das revoltas, dos abolicionistas e da profunda crise de um sistema que já não conseguia mais se sustentar.
A abolição não foi um presente da monarquia. Foi fruto da resistência de milhões de brasileiros que enfrentaram durante séculos a violência, a perseguição e a exploração. E essa vitória ocorreu apesar da forte oposição dos chamados “saquaremas”, setor conservador do Império ligado aos grandes fazendeiros escravistas e às elites econômicas da época.
Entre os principais representantes dos saquaremas estavam figuras como Bernardo Pereira de Vasconcelos, um dos maiores defensores da escravidão; Honório Hermeto Carneiro Leão; Joaquim José Rodrigues Torres e Paulino José Soares de Sousa, todos representantes da elite conservadora que defendia os interesses dos grandes proprietários de terra e do sistema escravista.
Os saquaremas da época afirmavam que acabar com a escravidão destruiria a economia, provocaria caos social e colocaria o país em crise. A história mostrou exatamente o contrário: o que era insustentável era manter a escravidão.
Passados 138 anos da abolição, o Brasil ainda convive com setores conservadores que se colocam contra avanços sociais e direitos dos trabalhadores. Em muitos momentos, esses grupos reproduzem o mesmo discurso das antigas elites escravistas, tentando impedir conquistas populares em nome do “mercado” e dos interesses econômicos de uma minoria privilegiada.
Hoje, no debate sobre o fim da escala 6×1, diversos representantes do pensamento liberal e do grande capital se posicionam contra mudanças que possam melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Entre eles aparecem nomes como Romeu Zema, Nikolas e Rita Mundim, além de setores ligados ao mercado financeiro e à chamada Faria Lima, que frequentemente se colocam contra direitos trabalhistas e políticas de proteção social.
Assim como no século XIX, tentam apresentar direitos do povo como ameaça à economia. Mas a história demonstra que toda grande conquista social enfrentou resistência das elites conservadoras. Foi assim com o fim da escravidão, com a criação das leis trabalhistas, com o direito ao voto popular, com as férias, o 13º salário e tantos outros direitos conquistados pela luta do povo brasileiro.
O 13 de maio deve ser lembrado não apenas como uma data histórica, mas como símbolo da força da mobilização popular. Nenhuma conquista social caiu do céu. Todas foram frutos da organização, da resistência e da luta daqueles que nunca aceitaram a exploração como destino.





