JORNAL SEMPRE – A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu novamente o homem suspeito de aplicar golpes de estelionato que teriam causado prejuízo superior a R$ 4 milhões a vítimas em diversas cidades do estado. A prisão ocorreu na última terça-feira, dia 3, em Nova Lima.
O investigado, João Paulo Murta Coimbra Ribeiro, é alvo da Operação Rich Lifestyle, conduzida pela 1ª Delegacia Especializada de Investigação de Fraudes (1ª DEIRFR/Depatri). Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas cidades de Nova Lima e Belo Horizonte.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito é investigado em mais de 50 procedimentos policiais com modus operandi semelhante. Contra ele já existem 72 boletins de ocorrência, a maioria relacionada ao crime de estelionato.
Estratégia baseada em ostentação
De acordo com as investigações, o suspeito utilizava as redes sociais para construir uma imagem de sucesso financeiro. Publicações mostravam viagens nacionais e internacionais, veículos de luxo, roupas de grife e passeios de helicóptero. O estilo extravagante teria sido parte da estratégia para atrair vítimas.
Segundo os investigadores, ele teria convencido diversas pessoas a realizar empréstimos e transferências bancárias com a promessa de investimentos lucrativos. Entre as modalidades citadas estão:
- Compra e venda de veículos já alienados ou de terceiros;
- Comercialização de celulares de última geração;
- Investimentos em empresas fantasmas;
- Suposta representação de laboratório de medicamentos, cosméticos e suplementos.
Vítimas ouvidas pela Record afirmam que João Paulo prometia retornos de até 20% do valor investido, com pagamentos em até dez dias. Para dar aparência de legitimidade ao esquema, ele teria alugado um galpão e simulado a aquisição de vans destinadas à distribuição dos produtos.
Algumas pessoas chegaram a receber pequenos depósitos iniciais, o que aumentou a confiança no esquema. Com isso, passaram a investir quantias maiores.
Empréstimos e prejuízos
Uma das vítimas relatou à Record ter investido aproximadamente R$ 190 mil. Sem receber o retorno prometido, teria sido convencida a aceitar um carro de luxo, avaliado em R$120 mil, como parte do pagamento. Dias depois, descobriu que o veículo era alugado.
Outro homem teria contado que fez um empréstimo de aproximadamente R$200 mil para participar do suposto negócio. Há relatos de vítimas que ainda tentam renegociar dívidas bancárias contraídas para investir no esquema.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de que terceiros possam ter participado da lavagem de dinheiro e da ocultação de bens. A análise financeira do investigado deve aprofundar essa linha de apuração.
Primeira prisão
João Paulo já havia sido preso em junho do ano passado após um golpe contra um casal de idosos. Na ocasião, permaneceu detido por um dia e foi liberado com tornozeleira eletrônica.
Desta vez, a prisão é preventiva. Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam materiais que passarão por análise e poderão auxiliar no andamento das investigações.
Moradores da cidade de Caraí, no Norte de Minas, criaram um perfil nas redes sociais que reúne vítimas do suspeito e já ultrapassa mil seguidores. Há relatos de pessoas prejudicadas também no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.
As investigações seguem em andamento.
*Com informações da Record






