
A adesão à tarifa zero no transporte público cresce rapidamente no Brasil. De acordo com um levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), 145 municípios já adotaram a gratuidade, seja parcial ou total. Em 120 dessas cidades, a passagem gratuita vale para toda a população. Nos demais, ao todo, mais de 5,4 milhões de pessoas vivem em cidades com transporte gratuito integral.
Em Nova Lima, a gratuidade no transporte coletivo foi implementada em abril de 2023, mas de forma limitada a domingos e feriados. No entanto, o vereador Adilson Taioba (Solidariedade) quer expandir esse benefício. Ele solicitou um requerimento, aprovado pela Câmara Municipal, para que houvesse a ampliação do passe livre para todos os dias da semana.
Desde julho de 2022, a Prefeitura de Nova Lima subsidia o transporte público, permitindo que a população pague uma tarifa única de R$ 2,00 em todos os ônibus da Via Ouro.
Os municípios que adotam a tarifa zero justificam a medida como uma forma de garantir o acesso à mobilidade, especialmente para trabalhadores, estudantes e pessoas em situação de vulnerabilidade. Defendem também que a gratuidade contribui para reduzir desigualdades, melhorar o trânsito e incentivar o uso do transporte coletivo.
O tema ganhou relevância nas eleições municipais de 2024. Segundo o projeto Vota Aí, desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o número de candidatos que mencionaram tarifa zero ou passe livre em seus planos de governo cresceu de 384, em 2016, para 675 em 2024.
A mais recente Pesquisa de Mobilidade da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada em dezembro, aponta que 58% da população das cidades com tarifa zero aprovam a gratuidade universal. Outros 28,7% acreditam que o benefício deveria ser voltado apenas para grupos específicos. Quanto aos impactos, 56,7% dos entrevistados notaram um aumento na lotação dos ônibus, enquanto a qualidade do serviço divide opiniões: 34,8% afirmam que melhorou, enquanto 36,8% discordam.